terça-feira, 5 de julho de 2011

A queda.



A solidão me acompanha
Em mais um cálice de vinho.
Vivo como um pássaro
A esperar dentro do ninho.
Aguardo que cresçam minhas asas,
Que tenha forças para voar.
Pois perdi meu chão
E sem o mesmo não posso caminhar.

Meu castelo de sonhos,
Agora surrupiado
Por um ladrão de noite
Que perdera seu legado.
O destino o ajudou
Tirando a paz de mim.
Mas não resisti
Decretando meu fim.

Acredito que minha morte
Tenha valido a pena.
Pois hoje não adormeço
A sombra de um dilema.
Voei o mais alto que pude
Em meu universo de fantasia.
E caindo em queda livre
Acordei num novo dia.

Desisti do meu sorriso...
Aquele velho sorriso forjado.
Desisti de ser feliz...
De ser feliz embriagado.
Aquele triste garoto
Encontrou o que procurava.
Na rua da amargura...
Este morto em uma calçada.

Não sei o que restou...
O que sobrara de mim agora.
Apaguei meu passado
Para escrever uma nova historia.
Não viverei mais de sonhos
Pois encontrei forças para encarar a realidade.
E que sabe algum dia
Me devolvam a felicidade.

                                        (Jf.)
                        

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Silêncio!

Silêncio!
Escute o cair das lagrimas
De uma inocente criança
Que apesar de suas lastimas
Não perdeu a esperança.

Acorda antes do sol.
Vira mãe de seu irmão.
Se preparam para o trabalho,
Repartem um velho pão.

Está na luta a cada dia
Com força de gente grande.
Trabalha com alegria
Ou morrerá de fome.

Sua aparência tão frágil
Esconde a de uma guerreira
Sonhando com outro mundo,
Quebrando suas fronteiras.

Ainda chora, ainda sonha
Buscando consertar seu destino.
Mas é apenas uma rosa
Nesse mundo de espinhos.

Silêncio!
Escute o cair das lagrimas
De uma inocente criança
Que jamais deixou de sonhar
Em ter direito a infância
De ter o direito de brincar de trabalhar. 

A beleza dos espinhos.



Se por acaso te disse
Que a vida não é um mar de rosas.
Mas não acredita e insiste,
Então vá e siga sua jornada.

Você logo verá
No início do caminho
Que por mais belas que sejam as flores,
Você não poderá toca-las sem se machucar.
Por que se não fossem os espinhos da vida
Não teríamos necessidade de sonhar.

Não se alcança um objetivo sem lutar.
Sonhar é fácil, difícil é acordar.
Se os espinhos te deixam machucado,
Não desista pois irá cicatrizar.
As dores te manterão sempre acordado,
Mas a beleza das flores tende a se revelar.

                                                                    (Jf.)

Liberdade.


Folhas caem
Com facilidade.
O vento sopra
A liberdade.

Algumas envelhecidas,
Mas não esquecidas.
Pois não há idade
Para alcançar a felicidade.
                                       
 (Jf.)

domingo, 3 de julho de 2011

Não se encontra mais por lá.



Noite sombria...
Escura e fria.
De uma beleza crua,
Sem estrela e sem lua.
Escondeu seu brilho,
Veio a tempestade.
E eu um velho...
De certa idade
Fico envolto a escuridão.
Trovões e pingos de chuva
Quebram o silêncio da solidão.
                       
Vivi o que pude,
Hoje revivo as lembranças.
Aproveitei minha juventude
Sempre com a perseverança
De te reencontrar.
Caminhei o mundo afora,
Para poder enxergar.
Mas com toda a minha demora...
Voltei, mas não se encontra mais por lá.


Hoje percebo que te perdi por sonhar
Com um amor fantasioso
Que cansei de buscar.
Eu estava cego e não vi seu olhar,
Qual tinha a esperança que eu viesse a enxergar.
Que a pessoa que procurava
Sempre esteve no mesmo lugar.
Sempre a meu lado...
Mas não se encontra mais por lá.
                                                   (Jf.)